sexta-feira, 13 de abril de 2018

Terra seca





Tu és como água.
Podes saciar minha sede ou até me afogar.
Só, não me deixes, vou desidratar.

Tu és como fogo.
O calor que me aquecia,
Distanciastes de mim, morrerei de hiportemia.

Tu és como vento.
Furacão.  Brisa de primavera,
Tua ausência me sufoca, morrerei a tua espera.

Eu sou como terra.
Posso dar-te flores, ser teu chão.
Mas se me deixares, serei terra seca do sertão.

Josias Teles

sábado, 7 de abril de 2018

Luluzete, a corna mansa



Luluzente era a verdadeira corna mansa. Luluzete não era seu nome de nascimento; diziam que a chamavam assim por ser fã do Lula Molusco, aquele personagem da turma do Bob Esponja. Mas isso é só o que ouvi dizer. Não posso afirmar.

O fato é que ela realmente era corna.

O marido dela tinha vários apelidos. Uns o chamavam de “Vermelho”, outros de “Onça” e alguns até de “Doutor”. Este último, imagino, se devia ao fato de ele ser um doutor em falcatruas. Sei lá, não sei por que o chamavam assim. A verdade é que ele era um malandrão, traindo-a com qualquer xexelenta que aparecesse, sem a menor cerimônia. De dia, de noite, na rua, no trabalho e até na própria cama dela.

Toda a cidade sabia das traições do Vermelho, Onça ou Doutor, o marido da Luluzete. Ele gastava quase todo o seu salário com seus comparsas e camaradas. E quando as finanças apertavam, a culpa sempre recaía sobre o governo capitalista e opressor...

Às vezes, alguém bem-intencionado tentava abrir os olhos de Luluzete. Mas como todos sabem, sendo uma boa corna mansa, ela não queria ver ou fazia de conta que não enxergava a verdade.

— É tudo mentira! Fofoca da vizinhança! É golpe! Vocês querem tirar meu marido de mim para ficarem no meu lugar! Não passarão!! — esbravejava ela.

Quando alguém argumentava:

— Mas pegaram o Vermelho num bar cheio de prostitutas, bebendo e dançando! Depois viram ele indo para um motel com elas!

Mas nada adiantava. Não havia fatos que convencessem Luluzete das falcatruas do marido.

— É tudo mentira! O Onça só foi ao bar comprar leite. Alguém o viu dentro do quarto do motel, na cama fazendo sexo com as prostitutas? Alguém tem algum documento assinado por ele assumindo que estava lá?! Meu marido é a alma mais honesta deste país!

— E aquela vez em que você mesma o viu dando em cima da filha do vizinho? Isso não conta?

— Ah! — dizia ela — Todo homem é meio sem vergonha mesmo. Qual homem nunca deu uma escapadinha? Veja o vizinho da minha irmã; ele também trai a mulher e ninguém faz nada. Por que só implicam com o coitado do Onça? Não somos ricos, mas pelo menos temos arroz e ovo todo dia. E às vezes ele me traz flores. O Vermelho é muito bom para mim. Eita gente invejosa! Oche!

Obs: Esta é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações é mera coincidência.


Josias Teles

A rua sem saída

Numa casa simples de uma rua sem saída, de um bairro da periferia, morava Juca. Trabalhava o dia todo e, à noite, estudava. Saía antes do ...