quarta-feira, 16 de novembro de 2022

Pelas Frestas das Venezianas




São nove horas.

Vinte um quadrados em madeira nobre, bonito de se ver.

Os vidros lisos, transparentes e levemente empoeirados, mostram a luz do sol entre as venezianas.

Os raios do sol atravessam o ar como um raio laser, mostrando o pó flutuando.

Eu sempre tentava pegá-los quando criança.


São nove e meia, dez horas...

dormi demais.

O ar está gelado aqui dentro, embora faça sol lá fora.

Mãos entrelaçadas na nuca pra elevar um pouco mais a cabeça que está num fino travesseiro.

As costas sentem as ripas do estrado da cama debaixo do fino colchão de espuma.

Os pensamentos vagueiam sempre entre mesmas questões. 

É preciso fazer força pras elas voltarem.


A tanta coisa pra fazer.

Tão pouco tempo.

Quanto tempo temos, afinal?


Há tanto tempo. 

Tem horas que já foi tempo de mais.


Eles venceram mais uma vez. Sim, os pensamentos.

Os pensamentos, os mesmos de sempre.

Mas, uma música, uma voz de fora ou até uma fútil distração, e eles se escondem. Ficam na espreita, a espera de uma brechinha pra voltar.


Pelas frestas da venezianas o tempo escorre como areia pelos vão dos dedos.


Josias Teles



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