Sou filho de um
pai ausente, que se foi quando eu tinha apenas 11 anos — uma idade crítica para
um menino. Onde se viu um pai abandonar uma criança nessa fase tão delicada da
vida?
Senti-me perdido, sem rumo, sem ter recebido as lições necessárias
para me tornar um homem.
Ele não me ensinou
como pensar, como entender o universo feminino ou como encarar os desafios da
vida.
Não me mostrou como ganhar o pão, nem me pediu netos.
Ele partiu sem que eu tivesse a chance de debater com ele, de
dizer que suas ideias estavam ultrapassadas e que o mundo havia mudado.
Não me deu a oportunidade de argumentar ou confrontá-lo nas minhas
descobertas.
Faltou-me sua presença nos momentos difíceis.
Quando quebrei o
braço e chorei, apavorado com a possibilidade de ficar aleijado, ele não estava
ali para me encorajar.
Também não esteve ao meu lado quando enfrentei os garotos da
escola que queriam me agredir.
Quantas dúvidas e
decisões erradas tomei por falta do seu conselho!
Quantas vezes fiz
minha mãe chorar por não o ter por perto para me corrigir.
. Não me disse:
- Vá estudar rapaz, para ser alguém na vida!
Não me disse que o casamento é coisa séria
Desde do dia que ele se foi, senti-me perdido, como um cão que cai
de um caminhão de mudança, sem saber se corre atrás do veículo ou volta para um
lar que já não é mais seu.
Por alguns anos o culpei. Chorei, me revoltei... até que entendi,
o câncer é uma doença muito forte.
Ainda sinto sua
falta.
Meus filhos agora
são adultos.
Mas, em algum
momento da vida deles eu também não estive presente.
Em diversas
situações os decepcionei. Não há desculpas para isso.
Queria oferecer
aos meus filhos a figura paterna que me faltou. Mas, em muitos momentos, sinto
que morri nas suas infâncias.
