É verdade. Toda
forma de poder é uma forma de morrer por nada.
A fila não
incomoda. Mas tudo passa, mesmo que você não passe por aqui.
Todo mundo é
uma ilha nesta terra de gigantes que trocam vidas por diamantes.
A juventude
não é mais a mesma, e agora é a propaganda que dita o que eles fazem.
Nesta
infinita highway, Telma ele é mesmo gay.
Agora sim
vale tudo. Vale homem com homem e homem que pensa que é mulher.
Agora todos
somos o eleito, o prefeito, o perfeito, perfeitos inúteis.
Caminhando,
cantando, mas sem canção, sem lenço, sem documento, com um instrumento que
sempre dá a mesma nota. RÁ-TÁ-TÁ-TÁ...
Sem medalhas
no peito. Sem as curvas de Santos. Sem os faróis baixos, sem os para-choque
duro para voltar.
A Brasília
amarela já foi para o ferro-velho.
Na casinha
branca de sapê com varanda, os ratos escrotos roeram aquela rede que às vezes
eu deitava para te amar.
A burguesia
não fede mais, mas cheira cada vez mais.
A garotinha
virou a loira burra.
A Geni boa
de cuspi, virou a ovelha negra da família, ou será que foi a Amélia, que era
mulher a de verdade?
Não sei. Eu
tenho pressa e muita coisa me desinteressa.
O radinho
acabou a pilha, a ilha deixou de ser sonífera, e agora é a favela do Senado.
Ainda
amanheço sozinho, a cama deixou de ser vazia e agora é um tédio.
O astronauta
de mármore virou Camila, Ana Júlia, Carla, Daniela, Gabriela, Marília Gabi
Gabriela... sei lá.
Polícia é o
que mais precisamos... Help, Help My love! ...
Sou um
maluco sem beleza, e já não sou mais louco só porque eu uso óculos escuros.
Aliás sem
meus óculos eu não sou ninguém...
O sonho
acabou. Imagine, o submarino amarelo a fundou como Titanic, não sobrou ninguém.
Já não tenho
mais meu violão para pôr na sacola, nem para onde ir.
Os marcianos
não podem responder o meu alô e os Titãs estão se extinguindo como os mutantes.
Dos teus
amigos eu não sei, mais dos meus eu não tenho mais nem o Zé. Ele se foi como um
sonho de Ícaro.
Posso até
tirar a bermuda, mas os solos de guitarra eu não vou deixar.
Já não sou
mais um menino, não caiu mais nas tuas ciladas.
Eu sei! Não
me adianta gritar para todo mundo ouvir, eles prestam atenção, mais eu não digo
nada!
Ainda chove
lá fora, ainda á tanto frio, mais eu não sei mais o que eu quero, porque tudo
que eu gosto é ilegal, imoral ou engorda.
A sua mãe
ainda diz que eu sou vagabundo.
O jeito é
voar, voar, subir, subir, ir por onde for subir até, o céu cair, ou mudar de
tom, anjos de gás, asas de ilusão, um som a mais, tom sobre tom...
O que será o
amanhã? Responda-me se puder...
Eu fiz o meu
melhor, e o meu destino será o que Deus quiser...
Josias
Teles 20/03/03