sexta-feira, 26 de maio de 2023

Vendo a banda passar

 


 

É verdade. Toda forma de poder é uma forma de morrer por nada.

A fila não incomoda. Mas tudo passa, mesmo que você não passe por aqui.

Todo mundo é uma ilha nesta terra de gigantes que trocam vidas por diamantes.

A juventude não é mais a mesma, e agora é a propaganda que dita o que eles fazem.

Nesta infinita highway, Telma ele é mesmo gay.

Agora sim vale tudo. Vale homem com homem e homem que pensa que é mulher.

Agora todos somos o eleito, o prefeito, o perfeito, perfeitos inúteis.

Caminhando, cantando, mas sem canção, sem lenço, sem documento, com um instrumento que sempre dá a mesma nota. RÁ-TÁ-TÁ-TÁ...

Sem medalhas no peito. Sem as curvas de Santos. Sem os faróis baixos, sem os para-choque duro para voltar.

A Brasília amarela já foi para o ferro-velho.

Na casinha branca de sapê com varanda, os ratos escrotos roeram aquela rede que às vezes eu deitava para te amar.

A burguesia não fede mais, mas cheira cada vez mais.

A garotinha virou a loira burra.

A Geni boa de cuspi, virou a ovelha negra da família, ou será que foi a Amélia, que era mulher a de verdade?

Não sei. Eu tenho pressa e muita coisa me desinteressa.

O radinho acabou a pilha, a ilha deixou de ser sonífera, e agora é a favela do Senado.

Ainda amanheço sozinho, a cama deixou de ser vazia e agora é um tédio.

O astronauta de mármore virou Camila, Ana Júlia, Carla, Daniela, Gabriela, Marília Gabi Gabriela... sei lá.

Polícia é o que mais precisamos... Help, Help My love! ...

Sou um maluco sem beleza, e já não sou mais louco só porque eu uso óculos escuros.

Aliás sem meus óculos eu não sou ninguém...

O sonho acabou. Imagine, o submarino amarelo a fundou como Titanic, não sobrou ninguém.

Já não tenho mais meu violão para pôr na sacola, nem para onde ir.

Os marcianos não podem responder o meu alô e os Titãs estão se extinguindo como os mutantes.

Dos teus amigos eu não sei, mais dos meus eu não tenho mais nem o Zé. Ele se foi como um sonho de Ícaro.

Posso até tirar a bermuda, mas os solos de guitarra eu não vou deixar.

Já não sou mais um menino, não caiu mais nas tuas ciladas.

Eu sei! Não me adianta gritar para todo mundo ouvir, eles prestam atenção, mais eu não digo nada!

Ainda chove lá fora, ainda á tanto frio, mais eu não sei mais o que eu quero, porque tudo que eu gosto é ilegal, imoral ou engorda.

A sua mãe ainda diz que eu sou vagabundo.

O jeito é voar, voar, subir, subir, ir por onde for subir até, o céu cair, ou mudar de tom, anjos de gás, asas de ilusão, um som a mais, tom sobre tom...

O que será o amanhã? Responda-me se puder...

Eu fiz o meu melhor, e o meu destino será o que Deus quiser...

                                                                          Josias Teles 20/03/03

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