sábado, 4 de maio de 2024

Um instante de cor


Era mais um dia comum na vida dele.  Saía apressado do trabalho, e seguia para casa, onde o tédio o aguardava. De repente, avistou-a: tão linda e elegante, como se estivesse pronta para uma festa, desafiando os paralelepípedos da rua com seus saltos altos. Perdido na conta dos dias, não sabia mais quando a vira pela última vez. Sem hesitar, correu até ela e ofereceu o braço esquerdo. Com os mesmos olhos grandes e brilhantes, com o mesmo largo e lindo sorriso, aceitou, agradecida Inicialmente, agarrou-se firme, enganchando-se ao braço dele e encostando suavemente a cabeça em seu ombro, suspirando como uma adolescente apaixonada. Temendo o olhar alheio, ela se afastou, segurando seu cotovelo, com passos desequilibrados atravessaram a rua. Na calçada, Ela fala sorrindo, radiante como sempre, com o olhar meigo que o encanta. Ele se delicia, com o reencontro. Tudo nela o desarma. O perfume, a proximidade, a vontade de permanecer ali. Mas ao dobrarem a esquina, ela para, segura as mãos dele por um instante, olha em seus olhos, com uma voz doce, diz: —Amigo, preciso muito ir. O chão some sob ele e o perfume se dissipa no ar.

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