Meus olhos
estão escuros.
Há muitos e muitos anos não veem a luz.
Em turbidez, meu coração se dissimula
Naufragado em algum oceano, sem forças para subir,
Escondendo-se em cavernas escuras.
Meus pensamentos entorpecem-se com coisas viciantes e podres,
Maquinando apenas o mal.
O desejo por carne é voraz, uma fome insaciável.
Carne, carne, carne; devoraria até me afogar em uma poça de vômito e nojo.
O fedor invade minhas narinas,
O perfume inebria meu ser como um leão enfeitiçado pela presa.
Como dizer não?
E ainda há um lago escuro e profundo cheio de coisas fétidas que boiam.
Posso minguar em auto comiseração.
Mas do que se queixa o homem?
Josias Teles 22/10/2014

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