terça-feira, 22 de outubro de 2024

Visceral

 


Meus olhos estão escuros. 

Minhas pupilas negras

Há muitos e muitos anos não veem a luz. 

Em turbidez, meu coração se dissimula

Naufragado em algum oceano, sem forças para subir,

Escondendo-se em cavernas escuras. 

Meus pensamentos entorpecem-se com coisas viciantes e podres, 

Maquinando apenas o mal. 

O desejo por carne é voraz, uma fome insaciável. 

Carne, carne, carne; devoraria até me afogar em uma poça de vômito e nojo. 

O fedor invade minhas narinas, 

O perfume inebria meu ser como um leão enfeitiçado pela presa. 

Como dizer não? 

E ainda há um lago escuro e profundo cheio de coisas fétidas que boiam. 

Posso minguar em auto comiseração. 

Mas do que se queixa o homem?


Josias Teles 22/10/2014

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