sexta-feira, 17 de junho de 2016

Diário de um Capitão (céu de brigadeiro)



O mar estava calmo, o sol brilhava alto e forte.
Não havia nuvens para escondê-lo.
Era assim que eu via...

No barco, imponente como um grande capitão, estava eu. Mãos ao leme, olhos fixos no horizonte, seguia firme...
A tripulação estava feliz ao meu lado, confiante que seguiríamos assim, tranquilos, até a terra firme.

Era assim que eu via...

É claro, eu sabia que nem tudo era um mar de rosas, e que eu não era o capitão que todos gostariam que eu fosse, mas tudo seguia em ordem. 
Por vezes, alguns altos e baixos, mas eu seguia em frente, confiante que um dia chegaríamos a um porto seguro.
Às vezes eu até me via com as pompas de um velho lobo do mar, admirado por muitos, respeitado por todos, cheio de orgulho.

Via-me contando aos meus netos, como venci as tempestades, e escapei da fúria do mar. Até os via com seus olhos brilhantes, entusiasmados, felizes e orgulhosos por me conhecer.

Era assim que eu via...

Porém, por traz desse cenário, o meu barco estava à deriva, o tempo estava nublado, e a tripulação em motim.
Eu estava perdido, e a tempestade mal havia começado.
Quando eu olhei no espelho, aquele homem que eu via nunca existiu, a não ser na minha imaginação.
Em cada espelho que eu olhava, eu via um lado meu que eu não conhecia.
As minhas qualidades desapareceram, algumas, acho que nunca existiram.

É nessa hora que descobrimos como somos frágeis e que o mundo é maior e mais complicado do que parece. 

Nos últimos espelhos que me olhei, vi um homem impotente, desiludido, perdido...

O mar? É o mesmo. O barco? Não sei, não o vejo mais, está muito escuro. 
Sei que ainda não estou no fundo mar, mais sei que estou na escuridão, ainda na água. 

Não sei pra onde nadar. Por enquanto, as ondas me levam, me jogam de um lado para o outro, estou perdido...


Lá, bem distante, parece haver uma luz, mas as ondas a encobrem, e os meus olhos ardem por causa do sal... 


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